Num dia de muita chuva, a vida me deu o Luar...
Crianças atentas sentadas me ouvindo.
Olhos vivos, sorrisos de vida e sonhos.
Eu estava em Jardim Primavera, longe de casa, com medo da chuva, mas aqueles meninos e meninas eram mais forte que tudo. E eu nem sabia que naquele jardim com a ajuda da chuva, plantaria minhas sementes para nunca mais sair.
As crianças cresceram, e o tempo passou silenciosos... e o sonho que era meu, se transformou nosso e depois que me plantei ali, nunca mais soube o que é solidão.
As crianças cresceram... e eu nem vi que de 30 ficamos 1.200... porque nem tudo nossos olhos podem ver.
Criamos nossa dança na partilha de nossos sonhos e nossas dificuldades. Até onde posso recordar, dividimos tudo: biscoitos, roupas, dores, sonhos, sapatilhas e muita, muita felicidade. Felicidade de dançar, de traduzir no nosso corpo a beleza que se pode criar. Felicidade de ver crescer nossas crianças, e de ver dançar aquilo que já conhecemos tão bem. Felicidade é percorrer ruas, becos, favelas, igrejas e escolas... de andar por tantos caminhos e rostos que não conhecem o que é dançar, o que pode ser dançar.
E aquelas crianças que cresceram se juntam hoje no meu coração com um misto de orgulho e saudade, sonho e magia... são o brilho do Luar!
O tempo que passou silencioso viu nascer nosso Projeto... dia a dia, sol a sol e tantas luas.
Muita gente me pergunta, o que é o Luar? E eu ainda não encontrei a palavra certa para decifrar esse imenso amor... temo que nunca encontre!
Rita Serpa

foto Gianne Carvalho
